Todo mundo conhece a história da Chapeuzinho Vermelho.
Uma menina que ganhou esse apelido porque vivia usando uma capa vermelha. Certo dia, sua mãe pediu que ela levasse uma cesta com doces para a avó, que estava doente e morava do outro lado da floresta.
Antes de a menina sair, a mãe ainda fez aquele alerta básico:
— Tome cuidado, porque existe um lobo muito perigoso na floresta.
E lá foi Chapeuzinho Vermelho, feliz, saltitante, usando sua chamativa capa vermelha e carregando uma cesta de doces no meio de uma floresta onde, segundo a própria mãe, havia um lobo perigoso à solta.
Naturalmente, ela encontra exatamente quem?
O lobo.
Depois de uma conversa, o lobo consegue convencer Chapeuzinho a seguir por outro caminho enquanto ele vai diretamente para a casa da vovó.
Chegando lá primeiro, o lobo entra, devora a pobre senhora, veste suas roupas, deita na cama e fica esperando Chapeuzinho chegar.
Quando a menina finalmente aparece, percebe que existe alguma coisa estranha naquela “vovó” e começa o famoso interrogatório:
— Vovó, por que suas orelhas são tão grandes?
— É para te ouvir melhor.
— E por que seus olhos são tão grandes?
— É para te enxergar melhor.
Até chegar à clássica pergunta sobre aquela boca enorme.
O restante você provavelmente conhece. O lobo também engole Chapeuzinho e, depois, aparece um caçador que salva a menina e a avó.
Final feliz para quase todo mundo.
Menos para o lobo.
Mas agora vamos esquecer por alguns minutos que estamos falando de um conto infantil e analisar essa história com um pouco mais de atenção.
Porque algumas coisas simplesmente não fazem sentido.
A mãe da Chapeuzinho precisava rever seriamente suas decisões
Primeiro ponto.
A avó estava doente.
Doente a ponto de aparentemente não conseguir sair de casa.
Qual foi a grande solução encontrada pela mãe?
Mandar doces.
Remédios?
Não.
Um médico?
Também não.
Uma sopa?
Talvez fosse mais útil.
Mas não.
Vamos mandar doces.
E quem fará essa entrega?
Um adulto?
Um vizinho?
Alguém experiente que conheça a floresta?
Claro que não.
Vamos mandar uma criança.
Sozinha.
Atravessando uma enorme floresta.
Na qual existe um lobo perigoso.
E o mais curioso é que a própria mãe sabia da existência do lobo.
É quase como dizer:
— Filha, leve esses doces para sua avó. Ah, e tome cuidado porque existe um animal selvagem e mortal no caminho. Boa viagem!
Realmente, um planejamento familiar impecável.
E precisava mesmo usar uma capa vermelha?
Chapeuzinho também não colaborava muito com a própria segurança.
Se você precisa atravessar uma floresta cheia de perigos, talvez seja interessante tentar passar despercebida.
Mas não.
A menina resolve atravessar o lugar usando uma enorme capa vermelha.
VERMELHA.
Provavelmente uma das cores que mais chamam atenção em uma floresta predominantemente verde.
Se a capa fosse verde ou marrom, talvez o lobo passasse por ela e nem percebesse.
Mas Chapeuzinho aparentemente estava mais preocupada com identidade visual do que com camuflagem.
O plano extremamente elaborado do lobo
Agora vamos falar do lobo.
Ele encontra Chapeuzinho no meio da floresta.
Está com fome.
Ela está sozinha.
Ninguém por perto.
E ainda carrega uma cesta cheia de comida.
Qual seria a atitude mais óbvia para um lobo malvado?
Atacar.
Mas esse lobo aparentemente gostava de complicar as coisas.
Em vez disso, ele resolve elaborar um plano digno de filme policial.
Conversa com a menina.
Descobre para onde ela está indo.
Convence Chapeuzinho a pegar outro caminho.
Corre até a casa da avó.
Entra.
Come a velhinha.
Troca de roupa.
Coloca uma touca.
Deita na cama.
Fica esperando.
Tudo isso para poder comer uma menina que estava literalmente parada na frente dele alguns minutos antes e SOZINHA
Não sei se estamos falando de um lobo muito inteligente ou de um animal que simplesmente gostava de transformar o almoço em um projeto de longo prazo.
Como o lobo sabia que ela se chamava Chapeuzinho?
Existe ainda outro detalhe interessante.
O lobo encontra a menina e pergunta:
— Aonde você vai, Chapeuzinho?
Espere um pouco.
Quem apresentou vocês?
Como ele sabia o apelido dela?
Ou o lobo tinha uma excelente rede de contatos naquela floresta ou Chapeuzinho Vermelho já era uma celebridade local.
E mais impressionante ainda:
ela diz que vai visitar a avó e o lobo consegue encontrar exatamente a casa certa.
Sem GPS.
Sem endereço.
Sem localização compartilhada.
Sem número da casa.
Sem referência.
Nada.
Aparentemente existia apenas uma avó em toda a região.
Era só perguntar:
— Onde fica a casa da vovó?
E qualquer morador da floresta provavelmente responderia:
— Ah, claro. A vovó. Segue reto e vira depois da árvore grande.
A vovó também não percebeu nada?
Outro ponto que merece atenção.
Um lobo bate na porta.
A avó abre.
Fim.
Não existe trinco.
Não existe olho mágico.
Não existe aquela clássica pergunta:
— Quem é?
Aparentemente, segurança residencial ainda não era uma prioridade naquela época.
A incrível capacidade digestiva do lobo
Agora chegamos à parte mais impressionante da história.
O lobo engole a vovó.
Depois engole Chapeuzinho Vermelho.
As duas inteiras.
Vivas.
Sem mastigar.
Isso significa que, segundo o conto, um lobo possui um estômago com capacidade para armazenar pelo menos duas pessoas completas.
E mais surpreendente:
elas permanecem vivas lá dentro.
Então fica a informação que ninguém pediu:
caso você seja engolido inteiro por um lobo de conto de fadas, mantenha a calma.
Existe uma possibilidade razoável de alguém aparecer com uma tesoura.
Surge então o caçador-cirurgião
Quando tudo parece perdido, aparece um caçador.
Ele percebe alguma coisa estranha, entra na casa e encontra o lobo dormindo com uma enorme barriga.
Até aí, tudo bem.
O curioso é o que acontece depois.
O homem olha para aquela barriga gigante e aparentemente pensa:
“Provavelmente existem duas pessoas vivas aí dentro.”
E então realiza uma cirurgia.
Com uma tesoura.
Sem hospital.
Sem equipamentos médicos.
Sem equipe.
Sem anestesista.
Ele simplesmente abre a barriga do lobo e consegue retirar Chapeuzinho e a avó completamente vivas.
O mais impressionante?
O lobo continua dormindo.
Ou aquela casa tinha a melhor anestesia da história ou esse lobo tinha um sono realmente pesado.
Mas ainda faltavam as pedras
Depois de retirar as duas, alguém tem outra ideia brilhante:
encher a barriga do lobo com pedras.
Porque simplesmente salvar Chapeuzinho e a vovó aparentemente não era suficiente.
Era preciso transformar aquilo em uma experiência educativa para o animal.
Então colocam várias pedras pesadas dentro dele e costuram novamente sua barriga.
Mais uma cirurgia realizada com absoluto sucesso.
O lobo continua vivo.
Ele sobreviveu a:
ser cortado;
ter a barriga aberta;
ter duas pessoas retiradas do estômago;
ter pedras colocadas dentro do corpo;
e ainda ser costurado novamente.
Mas então ele acorda.
Tenta levantar.
Não consegue suportar o peso das pedras.
Cai e morre.
Ou seja:
abrir a barriga do lobo não matou.
A cirurgia improvisada não matou.
As pedras dentro do corpo aparentemente também não mataram imediatamente.
Mas a queda foi fatal.
A verdadeira moral da história
Durante anos nos disseram que Chapeuzinho Vermelho era uma história sobre não conversar com estranhos e obedecer aos pais.
Depois de analisar melhor, talvez existam outras lições importantes:
Não mande uma criança sozinha atravessar uma floresta perigosa.
Se alguém está muito doente, talvez remédio seja mais apropriado do que doces.
Se existe um predador na região, uma capa vermelha provavelmente não é a melhor opção de camuflagem.
Nunca subestime um caçador que também possui habilidades avançadas de cirurgia.
E, acima de tudo:
comer pedras é altamente fatal.


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