quarta-feira, 9 de setembro de 2026


Labirinto – Prisioneiros da Imaginação”
, foi transmitido pela Rádio USP de São Paulo nos anos 1990, mais precisamente de 1994 até janeiro de 1996, aos sábados e domingos, das 12h às 13h

O programa era bastante diferente para a época: funcionava como uma espécie de radionovela interativa inspirada em RPG. Eram histórias de aventura, fantasia, terror, ficção científica, mistério e temas históricos. Em determinados momentos, a história parava e os ouvintes telefonavam para a rádio para decidir o que os personagens deveriam fazer. O resultado das ligações alterava o rumo da aventura.

Ele surgiu a partir de um trabalho de Radiojornalismo da ECA-USP. A equipe era formada principalmente por jovens universitários, com cerca de 19 anos. Ao todo foram produzidas mais de 70 aventuras durante aproximadamente um ano e meio.

Arcano 9, Haqeen, Hugh d’Morville, Neanderthal e Malone foram os produtores do LABIRINTO, e após anos de criação deste programa eles falam em uma entrevista exclusixa ao nosso blog sobre este trabalho que agora está na internet.

Quando surgiu à idéia de fazer o Labirinto no rádio, vocês imaginaram que iria fazer sucesso?
E fizemos sucesso? (risos) Antes de implementar o programa não imaginávamos que iria ser tão popular, que iria abarcar um público não familiarizado com o RPG. No primeiro fim de semana do Labirinto, recebemos meia dúzia de ligações de ouvintes. Nos últimos dias do programa, eram mais de cem - e muita gente reclamava que não conseguia ligar. Acho que nenhum de nós esperava isso, não... Mas já no final das transmissões, imaginávamos que poderíamos ter um sucesso ainda maior, já que o baixo alcance da Rádio USP da época limitava nossa audiência – muita gente nunca ouviu falar do Labirinto. Este desconhecimento poderia esconder uma potencial audiência. Mas, no fundo, nunca – nem mesmo agora – tivemos a real dimensão do “sucesso” do Labirinto, de quanta gente o Labirinto tocou, de quantos gostavam do Labirinto como nós gostávamos dele. Foi depois de criar o website que os antigos ouvintes tiveram a oportunidade de enviar mensagens muito emocionantes.
Porque o nome “prisioneiros da imaginação”?
Era assim que nós nos sentíamos: presos aos nossos incríveis mundos imaginários e relutantes em encarar um mundo real que nos parecia chocho e enfadonho. “Imaginação” é a ideia básica do que propomos e a ideia básica do RPG: aventuras sem fronteiras, cujos limites iam até onde o exercício da fantasia nos conseguia levar. “Prisioneiros” são aqueles que atravessam o “Labirinto”, o Labirinto da Imaginação. Figurativamente éramos nós, produtores, querendo que os ouvintes entrassem nessa também. “Prisioneiros da Imaginação” remete a um capturado – capturado pela imaginação, pela fantasia e pelo sonhar acordado, que era melhor que o mundo real. Esta imersão é a imagem que está por trás do RPG e do programa Labirinto. “Labirinto” em si foi inspirado no nome “Dungeons & Dragons” (Masmorras & Dragões), o primeiro sistema de RPG a ser criado. Achamos “Labirinto” mais sonoro que “Masmorra”. Mas antes mesmo de “Labirinto” escolhemos “Catacumba, Prisioneiros da Imaginação” para o programa. Ao que apresentamos “Catacumba”, a Rádio teve o bom senso de pedir para que trocássemos o nome.
Vocês se apresentam como Arcano 9, Haqeen, Hugh, Neanthertal e Malone. De onde surgiu estes nomes?
São todos personagens de RPG com os quais jogamos aventuras, menos o Arcano 9. O personagem de RPG do Arcano 9 era o mago Von Lewer – aquele que aparece na nossa primeira história, “Britúnia”. Mas, na hora da definição dos nomes, o Arcano preferiu este outro nick, inspirado no tarot. Hugh D’Morville foi um personagem templário, um monge-guerreiro. Haqeen, um guerreiro mouro. Neanderthal, um brucutu. Malone era um mero camponês, alçado à fama e à fortuna por total acaso: um caipira simplório no meio daqueles guerreiros e magos heróicos... Juntos nós formávamos, tanto no RPG quanto na vida real, um quinteto de elementos muito diferentes entre si – uma espécie de exército bizarro – mas que funcionava muito bem em conjunto.
Foi difícil conseguir um espaço na rádio USP para apresentar o programa?
Esta é uma história curiosa: conseguimos o espaço por acidente. Na época, visitamos algumas rádios para viabilizar o Labirinto, almejando todas menos as duas rádios públicas de São Paulo: A Rádio Cultura e a Rádio USP, já que a intenção era conseguir patrocínio. Em paralelo, o Arcano 9 respondia a uma oferta de estágio na Rádio USP. Na entrevista, ele comentou por cima que o veículo rádio permite projetos legais como um programa baseado em aventuras de RPG. A Rádio, que estava em um momento de reformulação da programação, ficou muito interessada e quis ouvir o piloto. O Arcano 9 não conseguiu o estágio, mas conseguiu o Labirinto na grade. Portanto, se foi difícil conseguir espaço na Rádio USP: foi fácil demais, pois fomos convidados! Vendo em retrospectiva, a Rádio USP foi o único lugar em que o Labirinto poderia ser viabilizado e experimentado. Era para ser do jeito que foi.
Para fazer a sonoplastia das histórias vocês utilizavam estúdios próprios? Como era feita a sonoplastia?
Toda a sonoplastia era realizada nos estúdios da Rádio USP. E era toda analógica. Usávamos fitas de rolo... Hoje isso é impensável. Na época, passávamos o áudio das falas com os efeitos sonoros para uma segunda fita e esta última para uma terceira fita com as trilhas sonoras de fundo. A terceira fita era a que iria para o ar. Era um processo artesanal, trabalhoso e demorado. Mas, em compensação, tinha uns operadores de som na Rádio USP bastante competentes (e experientes), o que refletiu na qualidade final do programa.
Percebe-se que nas histórias narradas pelo Labirinto, têm sempre uma pitada de humor entre uma história e outra. Isto era intencional ou acontecia sem querer?
Parte era intencional, parte era acidente. Nós nos divertíamos muito nas gravações, e achamos que esse bom-humor transparecia no produto final. E o perfil das histórias do Labirinto refletia muito a personalidade dos seus autores. O Hugh fazia histórias épicas, o Malone as de humor, o Haqeen histórias de terror e o Arcano 9 fazia as histórias com temas inusitados. O Neanderthal não escreveu por tanto tempo quanto os outros para determinar um estilo. Mas o convívio era muito bem humorado e as piadas muito freqüentes. O texto se impregnava por este clima.
Por qual motivo, encerraram as transmissões do programa pela rádio?
Aos poucos fomos abandonando o barco. A maioria dos integrantes estava chegando ao final da faculdade. Cada um começou a priorizar outros projetos próprios. O Labirinto foi um programa voluntário – ou seja, não ganhávamos nada com ele – e demandava muita dedicação dos produtores e dos colaboradores. Para se ter uma ideia, cada programa de uma hora levava, aproximadamente, 16 horas entre produção e apresentação. Como não víamos perspectivas financeiras com a atividade, o ânimo geral foi esmaecendo. O pessoal decidiu acabar com o programa e ir arrumar emprego ao final de 1995.
Hoje trabalham ainda na área de Comunicação?
Embora quatro dos cinco integrantes do Labirinto tenham se formado em Comunicação Social, apenas um trabalha na área atualmente. Curioso, não?
Vocês pensam em trazer o Labirinto de volta para o rádio?
Agora para os antigos ouvintes que se sentiram abandonados com o término do programa: sempre existiu a idéia de voltar, apesar de menos intensamente nos últimos anos. Logo após o término, batemos na porta de várias rádios. Distribuímos áudio de demonstrações no mercado. Tentamos voltar para a Rádio USP em duas ocasiões diferentes. Em resumo, os diretores das rádios acham que um programa deste tipo não dá audiência por ser longo e por ter um público muito específico (nós discordamos, claro). Tentamos também os grandes portais de internet... 12 anos depois, em 2007, lançamos o site do Labirinto. A Internet, incipiente durante o Labirinto, abriu novas possibilidades para a veiculação de histórias gravadas bem como criou um canal que, como foi mencionado, fez com que muitos ex-ouvintes pudessem entrar em contato conosco, o que para nós é incrível. Se voltássemos para o rádio seria muito legal. Não descartamos a idéia.
E para finalizar, que mensagem deixariam para os que foram (e continuam sendo agora pela Internet) fãs do programa Labirinto?
Se há mais de 16 anos do término do programa você nos procura na Internet, se trouxemos um pouco mais de alegria àqueles dias e lhe deixamos boas lembranças, tudo isso é mais que o esperado. Sentimo-nos muito honrados e agradecidos em saber que ainda há gente que gosta de ouvir as nossas histórias, ainda há ouvintes que se lembram com carinho do nosso trabalho, e que ainda há aqueles que se consideram nossos fãs. Obrigado! Isso é inestimável. Como mencionamos, nunca soubemos de fato o impacto do programa. Foi depois do nosso aparecimento na Internet que velhos ouvintes puderam entrar em contato e nos enviar mensagens emocionantes. Isso nos faz valorizar ainda mais a experiência que foi ter participado do Labirinto, um programa que, acreditamos, foi maior que a soma das suas partes.
O Destak no blog agradece a colaboração e entrevista dos produtores do Labirinto.
Boa parte dessas gravações ainda existe e pode ser ouvida hoje. Foi criado um site-tributo chamado Prisioneiros da Imaginação, que reúne episódios originais recuperados de fitas gravadas por ouvintes, além de informações sobre a história e a equipe do programa. Para ouvir clique aqui

Labirinto - Prisioneiros da Imaginação


Labirinto – Prisioneiros da Imaginação”
, foi transmitido pela Rádio USP de São Paulo nos anos 1990, mais precisamente de 1994 até janeiro de 1996, aos sábados e domingos, das 12h às 13h

O programa era bastante diferente para a época: funcionava como uma espécie de radionovela interativa inspirada em RPG. Eram histórias de aventura, fantasia, terror, ficção científica, mistério e temas históricos. Em determinados momentos, a história parava e os ouvintes telefonavam para a rádio para decidir o que os personagens deveriam fazer. O resultado das ligações alterava o rumo da aventura.

Ele surgiu a partir de um trabalho de Radiojornalismo da ECA-USP. A equipe era formada principalmente por jovens universitários, com cerca de 19 anos. Ao todo foram produzidas mais de 70 aventuras durante aproximadamente um ano e meio.

Arcano 9, Haqeen, Hugh d’Morville, Neanderthal e Malone foram os produtores do LABIRINTO, e após anos de criação deste programa eles falam em uma entrevista exclusixa ao nosso blog sobre este trabalho que agora está na internet.

Quando surgiu à idéia de fazer o Labirinto no rádio, vocês imaginaram que iria fazer sucesso?
E fizemos sucesso? (risos) Antes de implementar o programa não imaginávamos que iria ser tão popular, que iria abarcar um público não familiarizado com o RPG. No primeiro fim de semana do Labirinto, recebemos meia dúzia de ligações de ouvintes. Nos últimos dias do programa, eram mais de cem - e muita gente reclamava que não conseguia ligar. Acho que nenhum de nós esperava isso, não... Mas já no final das transmissões, imaginávamos que poderíamos ter um sucesso ainda maior, já que o baixo alcance da Rádio USP da época limitava nossa audiência – muita gente nunca ouviu falar do Labirinto. Este desconhecimento poderia esconder uma potencial audiência. Mas, no fundo, nunca – nem mesmo agora – tivemos a real dimensão do “sucesso” do Labirinto, de quanta gente o Labirinto tocou, de quantos gostavam do Labirinto como nós gostávamos dele. Foi depois de criar o website que os antigos ouvintes tiveram a oportunidade de enviar mensagens muito emocionantes.
Porque o nome “prisioneiros da imaginação”?
Era assim que nós nos sentíamos: presos aos nossos incríveis mundos imaginários e relutantes em encarar um mundo real que nos parecia chocho e enfadonho. “Imaginação” é a ideia básica do que propomos e a ideia básica do RPG: aventuras sem fronteiras, cujos limites iam até onde o exercício da fantasia nos conseguia levar. “Prisioneiros” são aqueles que atravessam o “Labirinto”, o Labirinto da Imaginação. Figurativamente éramos nós, produtores, querendo que os ouvintes entrassem nessa também. “Prisioneiros da Imaginação” remete a um capturado – capturado pela imaginação, pela fantasia e pelo sonhar acordado, que era melhor que o mundo real. Esta imersão é a imagem que está por trás do RPG e do programa Labirinto. “Labirinto” em si foi inspirado no nome “Dungeons & Dragons” (Masmorras & Dragões), o primeiro sistema de RPG a ser criado. Achamos “Labirinto” mais sonoro que “Masmorra”. Mas antes mesmo de “Labirinto” escolhemos “Catacumba, Prisioneiros da Imaginação” para o programa. Ao que apresentamos “Catacumba”, a Rádio teve o bom senso de pedir para que trocássemos o nome.
Vocês se apresentam como Arcano 9, Haqeen, Hugh, Neanthertal e Malone. De onde surgiu estes nomes?
São todos personagens de RPG com os quais jogamos aventuras, menos o Arcano 9. O personagem de RPG do Arcano 9 era o mago Von Lewer – aquele que aparece na nossa primeira história, “Britúnia”. Mas, na hora da definição dos nomes, o Arcano preferiu este outro nick, inspirado no tarot. Hugh D’Morville foi um personagem templário, um monge-guerreiro. Haqeen, um guerreiro mouro. Neanderthal, um brucutu. Malone era um mero camponês, alçado à fama e à fortuna por total acaso: um caipira simplório no meio daqueles guerreiros e magos heróicos... Juntos nós formávamos, tanto no RPG quanto na vida real, um quinteto de elementos muito diferentes entre si – uma espécie de exército bizarro – mas que funcionava muito bem em conjunto.
Foi difícil conseguir um espaço na rádio USP para apresentar o programa?
Esta é uma história curiosa: conseguimos o espaço por acidente. Na época, visitamos algumas rádios para viabilizar o Labirinto, almejando todas menos as duas rádios públicas de São Paulo: A Rádio Cultura e a Rádio USP, já que a intenção era conseguir patrocínio. Em paralelo, o Arcano 9 respondia a uma oferta de estágio na Rádio USP. Na entrevista, ele comentou por cima que o veículo rádio permite projetos legais como um programa baseado em aventuras de RPG. A Rádio, que estava em um momento de reformulação da programação, ficou muito interessada e quis ouvir o piloto. O Arcano 9 não conseguiu o estágio, mas conseguiu o Labirinto na grade. Portanto, se foi difícil conseguir espaço na Rádio USP: foi fácil demais, pois fomos convidados! Vendo em retrospectiva, a Rádio USP foi o único lugar em que o Labirinto poderia ser viabilizado e experimentado. Era para ser do jeito que foi.
Para fazer a sonoplastia das histórias vocês utilizavam estúdios próprios? Como era feita a sonoplastia?
Toda a sonoplastia era realizada nos estúdios da Rádio USP. E era toda analógica. Usávamos fitas de rolo... Hoje isso é impensável. Na época, passávamos o áudio das falas com os efeitos sonoros para uma segunda fita e esta última para uma terceira fita com as trilhas sonoras de fundo. A terceira fita era a que iria para o ar. Era um processo artesanal, trabalhoso e demorado. Mas, em compensação, tinha uns operadores de som na Rádio USP bastante competentes (e experientes), o que refletiu na qualidade final do programa.
Percebe-se que nas histórias narradas pelo Labirinto, têm sempre uma pitada de humor entre uma história e outra. Isto era intencional ou acontecia sem querer?
Parte era intencional, parte era acidente. Nós nos divertíamos muito nas gravações, e achamos que esse bom-humor transparecia no produto final. E o perfil das histórias do Labirinto refletia muito a personalidade dos seus autores. O Hugh fazia histórias épicas, o Malone as de humor, o Haqeen histórias de terror e o Arcano 9 fazia as histórias com temas inusitados. O Neanderthal não escreveu por tanto tempo quanto os outros para determinar um estilo. Mas o convívio era muito bem humorado e as piadas muito freqüentes. O texto se impregnava por este clima.
Por qual motivo, encerraram as transmissões do programa pela rádio?
Aos poucos fomos abandonando o barco. A maioria dos integrantes estava chegando ao final da faculdade. Cada um começou a priorizar outros projetos próprios. O Labirinto foi um programa voluntário – ou seja, não ganhávamos nada com ele – e demandava muita dedicação dos produtores e dos colaboradores. Para se ter uma ideia, cada programa de uma hora levava, aproximadamente, 16 horas entre produção e apresentação. Como não víamos perspectivas financeiras com a atividade, o ânimo geral foi esmaecendo. O pessoal decidiu acabar com o programa e ir arrumar emprego ao final de 1995.
Hoje trabalham ainda na área de Comunicação?
Embora quatro dos cinco integrantes do Labirinto tenham se formado em Comunicação Social, apenas um trabalha na área atualmente. Curioso, não?
Vocês pensam em trazer o Labirinto de volta para o rádio?
Agora para os antigos ouvintes que se sentiram abandonados com o término do programa: sempre existiu a idéia de voltar, apesar de menos intensamente nos últimos anos. Logo após o término, batemos na porta de várias rádios. Distribuímos áudio de demonstrações no mercado. Tentamos voltar para a Rádio USP em duas ocasiões diferentes. Em resumo, os diretores das rádios acham que um programa deste tipo não dá audiência por ser longo e por ter um público muito específico (nós discordamos, claro). Tentamos também os grandes portais de internet... 12 anos depois, em 2007, lançamos o site do Labirinto. A Internet, incipiente durante o Labirinto, abriu novas possibilidades para a veiculação de histórias gravadas bem como criou um canal que, como foi mencionado, fez com que muitos ex-ouvintes pudessem entrar em contato conosco, o que para nós é incrível. Se voltássemos para o rádio seria muito legal. Não descartamos a idéia.
E para finalizar, que mensagem deixariam para os que foram (e continuam sendo agora pela Internet) fãs do programa Labirinto?
Se há mais de 16 anos do término do programa você nos procura na Internet, se trouxemos um pouco mais de alegria àqueles dias e lhe deixamos boas lembranças, tudo isso é mais que o esperado. Sentimo-nos muito honrados e agradecidos em saber que ainda há gente que gosta de ouvir as nossas histórias, ainda há ouvintes que se lembram com carinho do nosso trabalho, e que ainda há aqueles que se consideram nossos fãs. Obrigado! Isso é inestimável. Como mencionamos, nunca soubemos de fato o impacto do programa. Foi depois do nosso aparecimento na Internet que velhos ouvintes puderam entrar em contato e nos enviar mensagens emocionantes. Isso nos faz valorizar ainda mais a experiência que foi ter participado do Labirinto, um programa que, acreditamos, foi maior que a soma das suas partes.
O Destak no blog agradece a colaboração e entrevista dos produtores do Labirinto.
Boa parte dessas gravações ainda existe e pode ser ouvida hoje. Foi criado um site-tributo chamado Prisioneiros da Imaginação, que reúne episódios originais recuperados de fitas gravadas por ouvintes, além de informações sobre a história e a equipe do programa. Para ouvir clique aqui

 


Todo mundo conhece a história da Chapeuzinho Vermelho.

Uma menina que ganhou esse apelido porque vivia usando uma capa vermelha. Certo dia, sua mãe pediu que ela levasse uma cesta com doces para a avó, que estava doente e morava do outro lado da floresta.

Antes de a menina sair, a mãe ainda fez aquele alerta básico:

— Tome cuidado, porque existe um lobo muito perigoso na floresta.

E  lá foi Chapeuzinho Vermelho, feliz, saltitante, usando sua chamativa capa vermelha e carregando uma cesta de doces no meio de uma floresta onde, segundo a própria mãe, havia um lobo perigoso à solta.

Naturalmente, ela encontra exatamente quem?

O lobo.

Depois de uma conversa, o lobo consegue convencer Chapeuzinho a seguir por outro caminho enquanto ele vai diretamente para a casa da vovó.

Chegando lá primeiro, o lobo entra, devora a pobre senhora, veste suas roupas, deita na cama e fica esperando Chapeuzinho chegar.

Quando a menina finalmente aparece, percebe que existe alguma coisa estranha naquela “vovó” e começa o famoso interrogatório:

— Vovó, por que suas orelhas são tão grandes?

— É para te ouvir melhor.

— E por que seus olhos são tão grandes?

— É para te enxergar melhor.

Até chegar à clássica pergunta sobre aquela boca enorme.

O restante você provavelmente conhece. O lobo também engole Chapeuzinho e, depois, aparece um caçador que salva a menina e a avó.

Final feliz para quase todo mundo.

Menos para o lobo.

Mas agora vamos esquecer por alguns minutos que estamos falando de um conto infantil e analisar essa história com um pouco mais de atenção.

Porque algumas coisas simplesmente não fazem sentido.

A mãe da Chapeuzinho precisava rever seriamente suas decisões

Primeiro ponto.

A avó estava doente.

Doente a ponto de aparentemente não conseguir sair de casa.

Qual foi a grande solução encontrada pela mãe?

Mandar doces.

Remédios?

Não.

Um médico?

Também não.

Uma sopa?

Talvez fosse mais útil.

Mas não.

Vamos mandar doces.

E quem fará essa entrega?

Um adulto?

Um vizinho?

Alguém experiente que conheça a floresta?

Claro que não.

Vamos mandar uma criança.

Sozinha.

Atravessando uma enorme floresta.

Na qual existe um lobo perigoso.

E o mais curioso é que a própria mãe sabia da existência do lobo.

É quase como dizer:

— Filha, leve esses doces para sua avó. Ah, e tome cuidado porque existe um animal selvagem e mortal no caminho. Boa viagem!

Realmente, um planejamento familiar impecável.

E precisava mesmo usar uma capa vermelha?

Chapeuzinho também não colaborava muito com a própria segurança.

Se você precisa atravessar uma floresta cheia de perigos, talvez seja interessante tentar passar despercebida.

Mas não.

A menina resolve atravessar o lugar usando uma enorme capa vermelha.

VERMELHA.

Provavelmente uma das cores que mais chamam atenção em uma floresta predominantemente verde.

Se a capa fosse verde ou marrom, talvez o lobo passasse por ela e nem percebesse.

Mas Chapeuzinho aparentemente estava mais preocupada com identidade visual do que com camuflagem.

O plano extremamente elaborado do lobo

Agora vamos falar do lobo.

Ele encontra Chapeuzinho no meio da floresta.

Está com fome.

Ela está sozinha.

Ninguém por perto.

E ainda carrega uma cesta cheia de comida.

Qual seria a atitude mais óbvia para um lobo malvado?

Atacar.

Mas esse lobo aparentemente gostava de complicar as coisas.

Em vez disso, ele resolve elaborar um plano digno de filme policial.

Conversa com a menina.

Descobre para onde ela está indo.

Convence Chapeuzinho a pegar outro caminho.

Corre até a casa da avó.

Entra.

Come a velhinha.

Troca de roupa.

Coloca uma touca.

Deita na cama.

Fica esperando.

Tudo isso para poder comer uma menina que estava literalmente parada na frente dele alguns minutos antes e SOZINHA

Não sei se estamos falando de um lobo muito inteligente ou de um animal que simplesmente gostava de transformar o almoço em um projeto de longo prazo.

Como o lobo sabia que ela se chamava Chapeuzinho?

Existe ainda outro detalhe interessante.

O lobo encontra a menina e pergunta:

— Aonde você vai, Chapeuzinho?

Espere um pouco.

Quem apresentou vocês?

Como ele sabia o apelido dela?

Ou o lobo tinha uma excelente rede de contatos naquela floresta ou Chapeuzinho Vermelho já era uma celebridade local.

E mais impressionante ainda:

ela diz que vai visitar a avó e o lobo consegue encontrar exatamente a casa certa.

Sem GPS.

Sem endereço.

Sem localização compartilhada.

Sem número da casa.

Sem referência.

Nada.

Aparentemente existia apenas uma avó em toda a região.

Era só perguntar:

— Onde fica a casa da vovó?

E qualquer morador da floresta provavelmente responderia:

— Ah, claro. A vovó. Segue reto e vira depois da árvore grande.

A vovó também não percebeu nada?

Outro ponto que merece atenção.

Um lobo bate na porta.

A avó abre.

Fim.

Não existe trinco.

Não existe olho mágico.

Não existe aquela clássica pergunta:

— Quem é?

Aparentemente, segurança residencial ainda não era uma prioridade naquela época.

A incrível capacidade digestiva do lobo

Agora chegamos à parte mais impressionante da história.

O lobo engole a vovó.

Depois engole Chapeuzinho Vermelho.

As duas inteiras.

Vivas.

Sem mastigar.

Isso significa que, segundo o conto, um lobo possui um estômago com capacidade para armazenar pelo menos duas pessoas completas.

E mais surpreendente:

elas permanecem vivas lá dentro.

Então fica a informação que ninguém pediu:

caso você seja engolido inteiro por um lobo de conto de fadas, mantenha a calma.

Existe uma possibilidade razoável de alguém aparecer com uma tesoura.

Surge então o caçador-cirurgião

Quando tudo parece perdido, aparece um caçador.

Ele percebe alguma coisa estranha, entra na casa e encontra o lobo dormindo com uma enorme barriga.

Até aí, tudo bem.

O curioso é o que acontece depois.

O homem olha para aquela barriga gigante e aparentemente pensa:

“Provavelmente existem duas pessoas vivas aí dentro.”

E então realiza uma cirurgia.

Com uma tesoura.

Sem hospital.

Sem equipamentos médicos.

Sem equipe.

Sem anestesista.

Ele simplesmente abre a barriga do lobo e consegue retirar Chapeuzinho e a avó completamente vivas.

O mais impressionante?

O lobo continua dormindo.

Ou aquela casa tinha a melhor anestesia da história ou esse lobo tinha um sono realmente pesado.

Mas ainda faltavam as pedras

Depois de retirar as duas, alguém tem outra ideia brilhante:

encher a barriga do lobo com pedras.

Porque simplesmente salvar Chapeuzinho e a vovó aparentemente não era suficiente.

Era preciso transformar aquilo em uma experiência educativa para o animal.

Então colocam várias pedras pesadas dentro dele e costuram novamente sua barriga.

Mais uma cirurgia realizada com absoluto sucesso.

O lobo continua vivo.

Ele sobreviveu a:

ser cortado;

ter a barriga aberta;

ter duas pessoas retiradas do estômago;

ter pedras colocadas dentro do corpo;

e ainda ser costurado novamente.

Mas então ele acorda.

Tenta levantar.

Não consegue suportar o peso das pedras.

Cai e morre.

Ou seja:

abrir a barriga do lobo não matou.

A cirurgia improvisada não matou.

As pedras dentro do corpo aparentemente também não mataram imediatamente.

Mas a queda foi fatal.


A verdadeira moral da história

Durante anos nos disseram que Chapeuzinho Vermelho era uma história sobre não conversar com estranhos e obedecer aos pais.

Depois de analisar melhor, talvez existam outras lições importantes:

Não mande uma criança sozinha atravessar uma floresta perigosa.

Se alguém está muito doente, talvez remédio seja mais apropriado do que doces.

Se existe um predador na região, uma capa vermelha provavelmente não é a melhor opção de camuflagem.

Nunca subestime um caçador que também possui habilidades avançadas de cirurgia.

E, acima de tudo:

comer pedras é altamente fatal.

Chapeuzinho Vermelho: a história que não faz sentido quando você pensa demais

 


Todo mundo conhece a história da Chapeuzinho Vermelho.

Uma menina que ganhou esse apelido porque vivia usando uma capa vermelha. Certo dia, sua mãe pediu que ela levasse uma cesta com doces para a avó, que estava doente e morava do outro lado da floresta.

Antes de a menina sair, a mãe ainda fez aquele alerta básico:

— Tome cuidado, porque existe um lobo muito perigoso na floresta.

E  lá foi Chapeuzinho Vermelho, feliz, saltitante, usando sua chamativa capa vermelha e carregando uma cesta de doces no meio de uma floresta onde, segundo a própria mãe, havia um lobo perigoso à solta.

Naturalmente, ela encontra exatamente quem?

O lobo.

Depois de uma conversa, o lobo consegue convencer Chapeuzinho a seguir por outro caminho enquanto ele vai diretamente para a casa da vovó.

Chegando lá primeiro, o lobo entra, devora a pobre senhora, veste suas roupas, deita na cama e fica esperando Chapeuzinho chegar.

Quando a menina finalmente aparece, percebe que existe alguma coisa estranha naquela “vovó” e começa o famoso interrogatório:

— Vovó, por que suas orelhas são tão grandes?

— É para te ouvir melhor.

— E por que seus olhos são tão grandes?

— É para te enxergar melhor.

Até chegar à clássica pergunta sobre aquela boca enorme.

O restante você provavelmente conhece. O lobo também engole Chapeuzinho e, depois, aparece um caçador que salva a menina e a avó.

Final feliz para quase todo mundo.

Menos para o lobo.

Mas agora vamos esquecer por alguns minutos que estamos falando de um conto infantil e analisar essa história com um pouco mais de atenção.

Porque algumas coisas simplesmente não fazem sentido.

A mãe da Chapeuzinho precisava rever seriamente suas decisões

Primeiro ponto.

A avó estava doente.

Doente a ponto de aparentemente não conseguir sair de casa.

Qual foi a grande solução encontrada pela mãe?

Mandar doces.

Remédios?

Não.

Um médico?

Também não.

Uma sopa?

Talvez fosse mais útil.

Mas não.

Vamos mandar doces.

E quem fará essa entrega?

Um adulto?

Um vizinho?

Alguém experiente que conheça a floresta?

Claro que não.

Vamos mandar uma criança.

Sozinha.

Atravessando uma enorme floresta.

Na qual existe um lobo perigoso.

E o mais curioso é que a própria mãe sabia da existência do lobo.

É quase como dizer:

— Filha, leve esses doces para sua avó. Ah, e tome cuidado porque existe um animal selvagem e mortal no caminho. Boa viagem!

Realmente, um planejamento familiar impecável.

E precisava mesmo usar uma capa vermelha?

Chapeuzinho também não colaborava muito com a própria segurança.

Se você precisa atravessar uma floresta cheia de perigos, talvez seja interessante tentar passar despercebida.

Mas não.

A menina resolve atravessar o lugar usando uma enorme capa vermelha.

VERMELHA.

Provavelmente uma das cores que mais chamam atenção em uma floresta predominantemente verde.

Se a capa fosse verde ou marrom, talvez o lobo passasse por ela e nem percebesse.

Mas Chapeuzinho aparentemente estava mais preocupada com identidade visual do que com camuflagem.

O plano extremamente elaborado do lobo

Agora vamos falar do lobo.

Ele encontra Chapeuzinho no meio da floresta.

Está com fome.

Ela está sozinha.

Ninguém por perto.

E ainda carrega uma cesta cheia de comida.

Qual seria a atitude mais óbvia para um lobo malvado?

Atacar.

Mas esse lobo aparentemente gostava de complicar as coisas.

Em vez disso, ele resolve elaborar um plano digno de filme policial.

Conversa com a menina.

Descobre para onde ela está indo.

Convence Chapeuzinho a pegar outro caminho.

Corre até a casa da avó.

Entra.

Come a velhinha.

Troca de roupa.

Coloca uma touca.

Deita na cama.

Fica esperando.

Tudo isso para poder comer uma menina que estava literalmente parada na frente dele alguns minutos antes e SOZINHA

Não sei se estamos falando de um lobo muito inteligente ou de um animal que simplesmente gostava de transformar o almoço em um projeto de longo prazo.

Como o lobo sabia que ela se chamava Chapeuzinho?

Existe ainda outro detalhe interessante.

O lobo encontra a menina e pergunta:

— Aonde você vai, Chapeuzinho?

Espere um pouco.

Quem apresentou vocês?

Como ele sabia o apelido dela?

Ou o lobo tinha uma excelente rede de contatos naquela floresta ou Chapeuzinho Vermelho já era uma celebridade local.

E mais impressionante ainda:

ela diz que vai visitar a avó e o lobo consegue encontrar exatamente a casa certa.

Sem GPS.

Sem endereço.

Sem localização compartilhada.

Sem número da casa.

Sem referência.

Nada.

Aparentemente existia apenas uma avó em toda a região.

Era só perguntar:

— Onde fica a casa da vovó?

E qualquer morador da floresta provavelmente responderia:

— Ah, claro. A vovó. Segue reto e vira depois da árvore grande.

A vovó também não percebeu nada?

Outro ponto que merece atenção.

Um lobo bate na porta.

A avó abre.

Fim.

Não existe trinco.

Não existe olho mágico.

Não existe aquela clássica pergunta:

— Quem é?

Aparentemente, segurança residencial ainda não era uma prioridade naquela época.

A incrível capacidade digestiva do lobo

Agora chegamos à parte mais impressionante da história.

O lobo engole a vovó.

Depois engole Chapeuzinho Vermelho.

As duas inteiras.

Vivas.

Sem mastigar.

Isso significa que, segundo o conto, um lobo possui um estômago com capacidade para armazenar pelo menos duas pessoas completas.

E mais surpreendente:

elas permanecem vivas lá dentro.

Então fica a informação que ninguém pediu:

caso você seja engolido inteiro por um lobo de conto de fadas, mantenha a calma.

Existe uma possibilidade razoável de alguém aparecer com uma tesoura.

Surge então o caçador-cirurgião

Quando tudo parece perdido, aparece um caçador.

Ele percebe alguma coisa estranha, entra na casa e encontra o lobo dormindo com uma enorme barriga.

Até aí, tudo bem.

O curioso é o que acontece depois.

O homem olha para aquela barriga gigante e aparentemente pensa:

“Provavelmente existem duas pessoas vivas aí dentro.”

E então realiza uma cirurgia.

Com uma tesoura.

Sem hospital.

Sem equipamentos médicos.

Sem equipe.

Sem anestesista.

Ele simplesmente abre a barriga do lobo e consegue retirar Chapeuzinho e a avó completamente vivas.

O mais impressionante?

O lobo continua dormindo.

Ou aquela casa tinha a melhor anestesia da história ou esse lobo tinha um sono realmente pesado.

Mas ainda faltavam as pedras

Depois de retirar as duas, alguém tem outra ideia brilhante:

encher a barriga do lobo com pedras.

Porque simplesmente salvar Chapeuzinho e a vovó aparentemente não era suficiente.

Era preciso transformar aquilo em uma experiência educativa para o animal.

Então colocam várias pedras pesadas dentro dele e costuram novamente sua barriga.

Mais uma cirurgia realizada com absoluto sucesso.

O lobo continua vivo.

Ele sobreviveu a:

ser cortado;

ter a barriga aberta;

ter duas pessoas retiradas do estômago;

ter pedras colocadas dentro do corpo;

e ainda ser costurado novamente.

Mas então ele acorda.

Tenta levantar.

Não consegue suportar o peso das pedras.

Cai e morre.

Ou seja:

abrir a barriga do lobo não matou.

A cirurgia improvisada não matou.

As pedras dentro do corpo aparentemente também não mataram imediatamente.

Mas a queda foi fatal.


A verdadeira moral da história

Durante anos nos disseram que Chapeuzinho Vermelho era uma história sobre não conversar com estranhos e obedecer aos pais.

Depois de analisar melhor, talvez existam outras lições importantes:

Não mande uma criança sozinha atravessar uma floresta perigosa.

Se alguém está muito doente, talvez remédio seja mais apropriado do que doces.

Se existe um predador na região, uma capa vermelha provavelmente não é a melhor opção de camuflagem.

Nunca subestime um caçador que também possui habilidades avançadas de cirurgia.

E, acima de tudo:

comer pedras é altamente fatal.